• Andréa Rodrigues

“Tentei retribuir ao handebol um pouco do que ele me deu”, diz Zeba

O ex-capitão da Seleção Brasileira fala sobre os dois anos de “aposentadoria” e que a política não pode vencer a modalidade

#ZebaEterno. Assim foi o recado que os amigos e familiares escreveram na camiseta de despedida das quadras de Fernando Pacheco, o Zeba, há dois anos.


Nesse dois anos seguintes ele continuou respirando os ares da modalidade, mas como Diretor de Seleções da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), mais um desafio que teve ao longo de sua trajetória esportiva. No entanto, ele não pode concluir o trabalho já que em setembro deixou o cargo por uma decisão do presidente em exercício Ricardo Souza, o mesmo que o convidou para trabalhar como dirigente. “Eu sabia que ia ser um desafio muito grande, que seria uma coisa totalmente diferente até mesmo do que me preparei, porém a minha intenção de aceitar esse convite foi muito mais de tentar retribuir ao handebol tudo o que ele me deu”, contou o ex-Capitão da Seleção Masculina.


Zeba conversou com a reportagem da Tchê Esportes e falou sobre como se preparou para deixar de jogar, sobre o convite para estar de fora da quadra ajudando com sua vivência internacional e, também, de como gostaria que a política não vencesse a modalidade.


A volta ao Brasil

“Quando decidi voltar da Europa eu ainda tinha propostas para jogar lá. Porém, minha filha, minha esposa e meus pais pesaram para eu voltar. Antes de vir para o Brasil eu conversei com o Pinheiros, que era um clube que eu já havia jogado sete anos e imediatamente eles abriram as portas para mim. Aí acabei rescindindo meu contrato com o Puerto Sagunto (da Espanha), que foi minha última equipe lá na Europa, e voltei (em 2017)."


Preparação para a aposentadoria

“Nesses dois anos eu já fui meio que me preparando para que esse momento (aposentadoria) chegasse. Não pela minha idade, mas pelas lesões que eu tinha, as dores que eu tinha, eu não ia conseguir render e jogar em alto rendimento por muito mais tempo. Então já sabia que isso ia acontecer, na verdade eu pensei que já ia parar em 2017. A grande verdade é que estava me preparando pra seguir trabalhando na empresa que eu e minha esposa montamos, de Marketing Esportivo, que tem a ver com a área.”


O ano mágico

“Acabou que 2017 foi um ano mágico, onde pelo Pinheiros a gente conquistou tudo: Pan de Clubes, Liga Nacional e Paulista, a Tríplice Coroa. E acabou me motivando para jogar mais um ano, para em 2018 poder ir para o Mundial de Clubes com o Pinheiros.”


O convite da CBHb

“Eu já tinha avisado para muitas pessoas que iria parar, e lá por agosto ou setembro (de 2018) acabei recebendo o convite do Ricardo (Souza) para trabalhar, seu eu gostaria de ir para o Mundial (Masculino de 2019), mais como experiência, porque eu conheço muito bem aquele grupo que estava lá na Comissão. Eu sabia que seria um desafio muito grande, mas a intenção de aceitar foi de tentar retribuir ao handebol um pouco do que ele me deu, que foi conhecer a minha esposa, ter minha família, conhecer o mundo inteiro, até meus bens materiais, minhas conquistas pessoais. Eu sou muito grato (ao handebol).”


O trabalho como Diretor de Seleções

“Eu consegui me inteirar de tudo o que a Confederação vem passando nesses dois anos. Estávamos tentando, mesmo com todas as dificuldades, no meio de uma pandemia, deixar uma coisa bem estruturada e bem preparada, não só para um ano de 2021, mas também para uma nova presidência que está por vir. Queria deixar uma coisa concreta, bem estruturada e transparente, independente se eu fosse ficar ou não.”


A saída da CBHb

“Ter saído agora, tão perto de acabar, de ter feito um esforço e um trabalho muito duro principalmente nesse ano da pandemia, pra fazer a modalidade respirar e as coisas acontecerem, foi algo que me doeu. Porém o presidente em exercício tem o direito de tomar a decisão que ele acha melhor pra Confederação. Eu fico triste porque acho que estava ajudando, gostaria de continuar e estava ganhando cada vez mais experiência, e crescendo mais, podendo ajudar cada vez mais, entendendo melhor as necessidades da modalidade, mas infelizmente eu não consigo mais ajudar como eu gostaria de continuar ajudando.”


A política no handebol

“Eu vejo muita gente falando em redes sociais e em grupos de conversa que é em prol do handebol, mas infelizmente, enquanto vier na frente os interesses pessoais em vez da modalidade eu não vejo o handebol com chances de crescer a curto prazo. Eu espero que quem entre, e quem conquiste esse direito de ser presidente da Confederação, possa continuar trabalhando e possa levar o handebol a voltar a ter ares melhores, buscar patrocinadores e conseguir apagar essas manchas que vem acontecendo atualmente.”


Despedidas emocionantes

Zeba viveu dois momentos distintos de despedida. Em 2016, às vésperas da Olimpíada do Rio, o capitão deixou a Seleção Brasileira por uma lesão que o incomodava já há algum tempo. Ele falou sobre isso à Tchê Esportes no dia de sua despedida das quadras. Ele também se emocionou ao imaginar como seria a vida dali para frente sem a rotina diária de treinos e competições.



A carreira de Zeba

A primeira convocação para seleções de base veio em 1995 e dez anos depois chegou à equipe adulta. Zeba tem no currículo três medalhas em Jogos Pan-Americanos: duas de ouro (2007 e 2015) e uma de prata (2011). Nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, teve uma atuação impressionante contra a Espanha ao marcar 12 gols. Participou de diversos campeonatos internacionais, ganhou inúmeros títulos e foi capitão da Seleção Brasileira.