• Andréa Rodrigues

Quando a aposentadoria das quadras chega sem você querer


Há cerca de um ano e meio, no início do ano de 2019, tive uma notícia nada agradável: o fechamento da equipe feminina de Santo André (SP), clube que defendi por oito anos como ponta esquerda. Porém, não foi a primeira vez que passei por essa situação...


Em março de 2010 fiquei sabendo que o clube que eu representava não teria mais time de handebol. Por isso, não consegui mais clube porque todos já estavam com seus grupos fechados. Naquele ano não joguei Federação e Confederação, só campeonatos universitários, pois já ganhava bolsa de estudos na faculdade. Não fiquei tão triste porque sabia que era nova – 22 anos – e no ano seguinte poderia arrumar alguma equipe. Joguei o Campeonato Mundial Universitário na Hungria, uma experiência incrível e única. Já tinha jogado Mundial, mas pela categoria Junior. O Universitário foi muito “show”!


Nessa época, trabalhei na minha área – Educação Física – em um clube-escola com pessoas fantásticas e em uma academia. Sou muito grata às pessoas que me acolheram, porque eu não tinha onde morar e elas me receberam de braços abertos. Nunca vou esquecer disso! Entre essas pessoas estão a Viviane e a Lisiane duas conterrâneas que não tenho palavras para agradecer por tudo que fizeram por mim.


Em 2011 tudo mudou de novo, fui chamada para defender o Santo André graças à minha amiga, companheira de quadra e conterrânea Nathalia. E aí tudo mudou. Foi intenso, divertido e às vezes nem tanto... kkkkk. Conheci pessoas que levarei para o resto da vida! E em todos os lugares por que passei conheci pessoas fantásticas e algumas Deus usou delas para me ajudar. Gratidão imensa é a palavra.


Depois do que passei em 2010 achei que quando fosse me aposentar, iria me preparar. Pelo menos era o que eu queria. Mas de repente, em 2019, eu estava sem clube novamente! Tristeza, espanto, dor... Depois de 16 anos me tiraram o handebol, porque foi esse o meu sentimento. É muito ruim você não entrar mais em quadra, principalmente quando a tua aposentaria chega sem você querer, aos 31 anos.


Graças a Deus aproveitei as outras oportunidades que apareceram e estava formada. Porque quando saí de casa em 2002 o plano era conseguir uma bolsa na faculdade para quando terminasse o ensino fundamental e o médio. Assim, já sendo uma Educadora Física, junto com meu noivo Marcão abrimos o Studio MF16, em São Bernardo do Campo (SP). O que me ajudou como pode nesse momento tão difícil. Arianos já não são fáceis por natureza... kkkkk... Nesse momento, eu estava pior. Disse que não tocaria mais em uma bola, que não jogaria, estava revoltada com tudo.


Foi então que uma outra amiga maravilhosa, a Laís, me chamou para jogar o campeonato Master com ela, para me divertir. E foi a melhor coisa que eu fiz, a melhor escolha naquele momento. Isso me ajudou tanto! Achei que não terminaria o ano bem e foi um ano maravilhoso. Jogar ao lado de amigas, de quem a gente gosta, não tem sensação melhor.

Bom... a gente sempre acha que está preparada, mas a maneira que tive que parar o handebol foi muito difícil. Por isso acredito ainda mais que tudo é preparação de Deus. 2019 foi um ano de mudança, de perdas, de aprendizado, mas principalmente de gratidão e união aos meus. E isso foi muito importante para conseguir encarar o período difícil que estamos vivendo em 2020. E para quem está preocupado com o que vai acontecer, já faz tempo que aprendi: vai passar!!!

PERFIL DO AUTORA

Fernanda Barbosa Vaz é ex-atleta profissional de handebol, educadora física e sócia do Studio MF16 – Treinamento Funcional, em São Paulo.

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