• Andréa Rodrigues

No Mundial do Egito 2021, Seleção busca superar ano tumultuado

Atualizado: 14 de Dez de 2020

Em ano de pandemia e com muitas questões políticas extra quadra, foco dos brasileiros é repetir boa atuação de 2019

O ano de 2020 definitivamente não foi fácil para ninguém por causa da pandemia de coronavírus. Mas esse foi apenas mais um dos problemas enfrentados pelas equipes e atletas do handebol brasileiro. Com muitas questões políticas influenciando as decisões na Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), houve trocas de presidente e, também, da comissão técnica na Seleção Brasileira Adulta Masculina. Com a confirmação de que o Mundial do Egito 2021 iria mesmo acontecer de 13 a 30 de janeiro de 2021, começava o quebra-cabeças para viabilizar a participação brasileira, seja por questão de recursos financeiros, seja pelos treinamentos que não ocorreram.


Definidas essas questões, a data para apresentação dos atletas ficou marcada para o dia 27 de dezembro. Os convocados pelo técnico Marcus Tatá trazem uma bagagem internacional importante e muitos estavam no grupo de 2019 que conquistou a melhor colocação do Brasil em Mundiais: o 9º lugar. “O critério (de convocação) foi dar sequência no que vinha sendo trabalhado. Agora não dá tempo de a gente treinar muito, não tivemos uma fase de treinos em Portugal, que era para ter tido na Europa, então vamos ter que nos adaptar ao que dá, ao nosso estilo de jogo, mas trazer bastante coisa, que é o que foi feito com essa Seleção até agora”, explica Tatá.

A média de idade dos jogadores é de 28 anos, sendo o goleiro Maik Santos o mais experiente (40 anos) e o mais jovem o pivô Matheus Francisco da Silva, de 22 anos. A idade não pesa para nenhum dos dois, já que Maik foi eleito recentemente o MVP do Campeonato Paulista, e Matheus passou pelas seleções de base e terá o apoio do irmão, o central João Pedro, que já tem bastante entrosamento com boa parte do grupo.


Dois dias depois de anunciada a lista de 20 jogadores que vão ao Mundial do Egito, houve a baixa do central Pedro Pacheco, de 22 anos. Ele sofreu uma lesão no joelho em jogo de sua equipe, Tatran Presov, da Eslováquia. O tempo de recuperação é de um mês a um mês e meio, o que o deixa sem condições de retornar a tempo de começar a competição. Para o seu lugar foi chamado Arthur Patrianova, armador esquerdo, mas que também atua como central. Patrianova retorna à Seleção após quatro anos, pois rompeu o ligamento cruzado do joelho em torneio preparatório para as Olimpíadas do Rio 2016. “Estou muito feliz em voltar, muito mesmo! Sabia que estava entre os 35 (pré-selecionados), mas sabia que seria difícil. Isso me surpreendeu, mas estava preparado para qualquer momento”, contou o atleta à Tchê Esportes.


O técnico Marcus Tatá lembra que o grupo do Brasil no Mundial tem seleções com características bem diferentes, o que torna difícil o caminho brasileiro na competição. “A Espanha é a atual campeã europeia com um jogo bem tático, técnico e físico também; a Tunísia já é completamente diferente da Espanha, mas é uma equipe muito veloz, muito jogo de um contra um, muito jogo de arraste de chute, uma defesa muito dura; e a Polônia é uma defesa com muito lançamentos de 9 metros, com uma defesa muito alta, é uma equipe muito alta”, analisou.


Os três primeiros de cada grupo passam para o Main Round, fase em que as equipes carregam os pontos conquistados na fase de grupo nos confrontos entre os classificados. No Main Round o grupo B do Brasil cruzará com o grupo A, que tem Alemanha, Hungria, Uruguai e Cabo Verde. E apenas os dois primeiros classificados na rodada principal passam para as quartas de final.