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Mulheres discutem a participação feminina no handebol

Desafios diários incluem maior espaço e autonomia para treinadoras, gestoras e atletas; jornalista da Tchê Esportes mediou o bate papo

Nesse sábado (1/ago) cinco mulheres com um currículo invejável no handebol discutiram a participação feminina na modalidade: a treinadora Carla Antonucci, a analista de desempenho Renata Antunes, a gestora esportiva Thatiana Freire, a preparadora de goleiras Camila Dionízio e a assessora esportiva e atleta olímpica Lucila Vianna (veja currículos abaixo). A jornalista Andréa Rodrigues, da Tchê Esportes, foi mediadora do bate papo promovido pela Associação Atletas pelo Handebol. Para quem quiser assistir, a gravação está disponível no final dessa reportagem.


Entre os assuntos, a dificuldade em ser ouvida em um grupo predominantemente masculino, o constrangimento de ser olhada por ser mulher e não por ser profissional, o movimento feminino por mais espaço no meio esportivo e a discriminação com quem opta pela maternidade. Isso ficou bem claro em uma manifestação da atleta olímpica e tri campeão pan-americana Lucila Vianna. “A gente sofre uma pressão antes e depois de ter filho. Antes ‘você não pode engravidar agora porque tem certa competição esportiva’, seja você como atleta ou trabalhando com gestão. E depois – como tenho duas filhas, passei pelos dois processos – ‘espera mais um ano porque ano que vem tem Olimpíadas’. Eu deixei de ir a algumas competições porque tinha filha pequena e me disseram que eu não iria a Londres por ter filho pequeno”, contou. A jornalista Andréa Rodrigues questionou se alguém deixou que ela mesma decidisse sobre ir para a competição. A resposta: “Não”.


A importância de ter um olhar feminino sobre várias questões é algo urgente. As profissionais relataram situações constrangedoras que passaram, como o fato de não haver alojamento para a técnica Carla Antonucci durante dois campeonatos brasileiros que ela participou, pois havia apenas o local “dos técnicos”. “Acabei ficando no alojamento com os atletas e as atletas, mas se pensarmos, é uma situação totalmente errada. Hoje, mais recentemente, já vem o ofício e lá vem descriminado quantos homens e quantas mulheres. Melhorou muito. Então eu vejo que é nosso papel mostrar que isso não é normal”, disse a técnica.


Camila Dionízio lembrou da importância de ter referências femininas e mentoras mulheres quando da sua transição da carreira de atleta para a de preparadora de goleiras. “Eu estava querendo ainda ser atleta, tinha mentores homens nessa época. E eles tinham um olhar para a atleta, mas não para o que eu poderia ser depois, o futuro como mulher, como profissional, o que seria de mim depois que eu não conseguisse mais jogar. Hoje sou formada, tenho meu CREF (registro profissional), sou preparadora de goleiras e o papel das mulheres ao longo da minha trajetória foi fundamental para olhar para o futuro da mulher Camila”, falou.


A gestora esportiva Thatiana Freire falou os problemas que as mulheres enfrentam para serem valorizadas em suas funções, em que têm total conhecimento. “Essa é uma das barreiras. Às vezes a gente precisa gastar muita energia para superar alguma dificuldade por uma não valorização, um não reconhecimento ou algo que é super comum, que a gente quer se posicionar e é interrompida. Então às vezes temos que fazer jornada tripla, quádrupla, para poder acompanhar e fortalecer a competência técnica, por exemplo”, explicou.


A treinadora e analista de desempenho Renata Antunes lembrou que há um movimento dentro do handebol para fortalecer e valorizar a presença feminina na modalidade. “Tudo o que você cutuca e incomoda, gera uma defensiva, antes de querer entender por que para nós é tão importante ser reconhecida como treinadora e não apenas treinador, todas e não só todos. É um movimento que estou vendo o handebol fazer, muito interessante, de nós mulheres do handebol, para plantar a sementinha em outros grupos: das atletas, da arbitragem feminina e assim por diante”, contou.



Veja o currículo das entrevistadas:


Camila Dionizio

Começou como atleta em Santo André

Formada em Educação Física

Desde 2014 atua como preparadora de goleiras da Seleção Feminina Juvenil e da equipe de Jundiaí


Carla Antonucci

Bacharel em Esporte pela USP

Especialização em Handebol e Pós em Treinamento

Em outubro completa 20 anos como técnica das categorias de base feminina do Clube Pinheiros (SP)


Lucila Vianna

Formada em Educação Física

Tricampeã Pan-americana (1999, 2002 e 2007)

Participou de três Olimpíadas: Sidney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008

Desde 2010 trabalha na CBHb; atua como assessora esportiva e coordenadora do Mini Hand


Renata Antunes

Bacharel em Esporte pela USP e formação em Publicidade e Propaganda

Especialização na Alemanha como treinadora de handebol

Atuou como Estatística na Rio 2016

Trabalha com Análise de Desempenho e Jogo no Clube Pinheiros


Thatiana Freire

Bacharel em Esporte pela USP

Atua com gestão esportiva

Atuou como Estatística na Rio 2016

Atleta do master de handebol

Coach Developer pela Universidade de Ciências do Esporte do Japão – programa legado Olímpico Tóquio 2020



Bate papo completo


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