Entenda por que eleição antecipada na CBHb foi rejeitada

Atualizado: 7 de Nov de 2020

Em Assembleia cheia de dúvidas, atletas fizeram protesto, mas votaram “sim”; maioria das federações votou pelo “não”

Eleição antecipada na CBHb foi rejeitada. (arte Tchê Esportes)

O que poderia ser um caminho para o handebol – uma eleição antecipada para escolher os novos representantes da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) –, foi rejeitado em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que aconteceu na manhã dessa sexta-feira (6/nov). Algumas federações estaduais se retiraram da votação logo no início da reunião, outras optaram por ficar e votar “não”. Os atletas e clubes com direito a voto, mais os representantes das comissões e poucas federações, votaram “sim”, mas deixaram claro que foi sob protesto.


Para entendermos o que aconteceu na Assembleia e as razões de cada posicionamento, fomos conversar com atletas e representantes das federações estaduais. Um ponto em comum entre os consultados pela reportagem da Tchê Esportes, é que muitos questionamentos não foram respondidos pela CBHb, o que gerava dúvida sobre a decisão a ser tomada.


“Solicitei a palavra no início da ordem do dia para fazer alguns questionamentos em relação à CBHb, se assim como a antecipação da eleição teria a antecipação da posse, se a CBHb teria recursos para custear a assembleia e etc, e o presidente da Assembleia disse que a pauta era apenas pra votar sim ou não. Então como havíamos deliberado pelo voto a favor, votamos sim, mas sob protesto”, contou Marcelo Rizzoto, o Cebola, que foi o atleta mais votado para o recém formado colégio eleitoral da entidade.


A atleta Patrícia Scheppa, duas vezes melhor do mundo no Handebol de Praia, disse que votou a favor da antecipação porque acredita que tudo deve ser resolvido o quanto antes. Mas ela fez uma ressalva na hora de votar, pois observou que estava tudo muito desorganizado e que muitas coisas precisavam ser esclarecidas. “Nós pontuamos a questão de que não foi passado para a gente quando seria essa eleição, se seria presencial ou on-line, se teria a posse imediata ou não... Tudo isso interfere nessa decisão de votar antecipado ou não”, explicou.


Para o atleta Naílson Amaral, que joga pelo Português do Recife e que também viu o clube e a federação do estado votarem pelo “sim”, o resultado foi frustrante. “Fizemos um movimento para antecipar as eleições e os presidentes das federações simplesmente não votaram a favor. Mas vamos respeitar o resultado, a democracia é isso”, disse.


O presidente da Liga de Handebol do Estado do Amazonas (Liham) Auricelio Andrade votou “sim”. E disse que se considera independente e que na próxima eleição votará no candidato que passar mais credibilidade e que tiver as melhores propostas, principalmente para o Norte. “Nós queremos a antecipação da eleição, até porque acho que o movimento para o handebol sair da situação que está é de uma nova eleição. E o presidente já assumindo logo após daria para trabalhar com mais tranquilidade, e principalmente tirar o handebol e a Confederação da situação que está”, comentou, completando que o seu entendimento é que os detalhes da nova eleição seriam dados pelo colégio eleitoral em uma próxima assembleia extraordinária.


O presidente da Comissão de Clubes, Marcus Oliveira, o Tatá, concorda que o início da reunião foi um pouco desorganizado e que algumas questões ficaram com duplicidade. “Mas nada justifica, para mim, uma federação ou atleta ou clube pedir a antecipação da eleição e a hora que tem a oportunidade de antecipar, votar contra. Mas uns votam sim, outros votam não. Isso é normal, cada um tem seu voto e é uma democracia. Seguimos trabalhando, vamos trabalhar pelo handebol”, falou Tatá, que também é o técnico da Seleção Brasileira Masculina.


Por meio das redes sociais a Federação Goiana de Handebol (FGHb), que esteve representada pelo presidente Junio Augusto na assembleia, emitiu um comunicado em que explica o voto pelo “não”. “De nada adianta anteciparmos as eleições sem ter claro se a posse do eleito seria imediata, e isso em momento algum foi esclarecido pela CBHb, ao contrário, as afirmações eram que o atual presidente Ricardo Souza não sairia do poder antes do término de seu mandato dia 1 de fevereiro. Durante a AGE, não foi respondida nenhuma das indagações dos membros da assembleia, que buscavam entendimento para uma posição sobre a antecipação. Ao contrário, o que se teve de respostas foram apenas não sabemos, não temos certeza de como irá ocorrer.”


Mesmo posicionamento teve o presidente da Federação Catarinense de Handebol (FCHb) Eder Martins, que também votou “não”. “Não fui contra por ser contra e deixei isso claro ao dar meu voto. Mas sou contra fazer tudo atropelado em relação às informações. Se tivesse que dizer “sim”, eu diria se eu soubesse o que ia acontecer daqui para frente. Quiseram dar uma resposta rápida para os atletas e o público, mas a proposta deveria ser melhor elaborada, não tínhamos informação alguma sobre a posse. E agora nós precisamos primeiro olhar para a Seleção Brasileira Masculina, o que deve se resolver agora, já que eles têm Mundial pela frente”, explicou o dirigente.


O presidente da Federação de Handebol do Estado do Rio de Janeiro (FHERJ) esteve presente no início da assembleia, respondeu a presença e leu um manifesto em nome das federações que optaram por se ausentar da votação. Ele explicou os motivos à Tchê Esportes. “Se o COB não reconhece Ricardo de Souza como presidente, ele não tem legitimidade para convocar assembleia, para antecipar eleição, para fazer qualquer coisa. Nossos atletas já estão sofrendo consequências! O Brasil só tem as verbas vindas do COB, está sobrevivendo pela Lei Agnelo Piva, e o COB cortou as verbas para o treinamento. Nós estamos em contato para que os presidentes de federações convoquem uma Assembleia Geral Extraordinária e os presidentes decidirem, claro, junto com outras comissões e os atletas, de que forma tem que ser feita essa eleição”, esclareceu Callado.


Para o presidente da Federação de Handebol de Mato Grosso Thiago Richoppo a falta de informações claras sobre a forma de validação dos votos da AGE foi um dos motivos para a não participação. “Estávamos dispostos a votar, mas não foi esclarecido se valeriam ¾ dos votos de quem estava presente ou do total com direito a voto.” Outra questão levantada por ele, que é advogado, é em relação à validade da assembleia. “Logo a liminar que o deixou ocupar o cargo pode ser retirada pelo julgamento do mérito da decisão do COB (no judiciário, processo que tramita no Rio de Janeiro). Qual a segurança jurídica dessa assembleia? Entraríamos novamente em um entrave!”, questionou.


A Liga de Handebol do Paraná (LHPR) se manifestou por meio de circular assinada pelo presidente Roberto Ferreira Niero, o Pimpão, em que explica que foram feitos questionamentos em relação às medidas que seriam adotadas para se realizar a antecipação do processo eleitoral, mas que não obteve respostas. “Diante da negativa entendemos que não poderíamos pactuar da postura adotada e votamos contra a antecipação das eleições, pois a pauta apresentada não continha as informações que dariam transparência e lisura ao p