• Andréa Rodrigues

“Passo a ter mais responsabilidade na Hungria”, diz Rogério Moraes


Pivô de 25 anos, recém contratado pelo Veszprém, diz que escolheu buscar novos desafios na carreira, fala de Seleção e da cirurgia que o tirou do Mundial


Rogério Moraes ainda nem terminou o contrato no RK Vardar da Macedônia, onde foi campeão da Champions League em 2016/2017, e já assinou com o Veszprém, da Hungria, para as próximas duas temporadas. “Joguei handebol três anos aqui na Macedônia e é bem normal quando você está na última temporada já assinar com outra equipe. Acho que com 25 anos passo a ter um pouco mais de responsabilidade lá, por ter sido uma contratação importante pro clube”, disse o pivô, em entrevista exclusiva à Tchê Esportes.

O atleta contou que teve outras duas propostas, do Paris Saint German e do Saint-Raphaël, falou das escolhas acertadas que fez ao longo de seis anos atuando na Europa e da cirurgia no joelho que tirou a possibilidade dele disputar o Mundial e fazer parte do grupo que obteve a melhor classificação até hoje no torneio. Rogério Moraes é sereno na fala, firme nas opiniões e críticas, e divertido ao lembrar da falta que faz a um paraense como ele, o açaí com farinha de mandioca junto com a comida.

Durante duas horas ele falou sobre tudo isso e também disse que a volta às quadras deve ser no dia 16 de fevereiro, justamente contra seu futuro clube, o Veszprém.

Tchê – Como aconteceu o contato com o Veszprém e por que você escolheu o time da Hungria?

RM – Desde novembro a gente iniciou as conversas do clube com meu manager (agente) e tinha outras ofertas também, como do Paris Saint German e do Saint-Raphaël. A gente conversou e decidi ir pra Vészprem, que é uma grande equipe aqui na Europa, tem um suporte técnico e em nível de estrutura muito boa na Hungria e sempre está jogando competições de alto nível: Champions League, ano que vem vai voltar a jogar a SEHA League, além do Campeonato Húngaro e Copa da Hungria, que é bem forte. Isso ajudou também na minha decisão de ir pra uma equipe onde vou continuar jogando em alto nível para poder melhorar. Acho que com 25 anos passo a ter um pouco mais de responsabilidade lá, por ter sido uma contratação importante pro clube. Isso também eu decidi, era pra ser assim. Eu quero um pouco mais de responsabilidade pra ter um desafio grande na minha carreira e é o que eu vou ter.

Tchê – Como é esse contrato?

RM – Meu contrato inicia dia 1º de julho pra temporada 2019/2020 e fico no Veszprém por dois anos, com opção de mais um, que é uma opção que o clube faz pra ter a preferência caso eles queiram renovar o contrato comigo. Vivi três temporadas muito boas aqui na Macedônia, onde na primeira temporada consegui ganhar todas as competições que a gente disputou. Com certeza foi a melhor temporada até o momento da minha carreira e eu vivi um sonho de vencer a Champions League.


Tchê – Você falou que viveu esse sonho de disputar a Champions League. E nos teus sonhos, imaginava chegar tão longe? Até porque para um jogador de handebol, você começou relativamente tarde em relação à maioria das pessoas que já jogam handebol. Com quantos anos foi isso?

RM – Se for pensar nesse lado, eu comecei um pouco tarde profissionalmente, acredito. Ou semiprofissionalmente, porque o handebol não é profissional no Brasil. Mas já jogava desde os 12 anos, brincava de handebol nas aulas de educação física no colégio. E com 16, 17 anos tive oportunidade de ir pra uma equipe em Belém, onde me mandaram pra um acampamento com o Jordi Ribera, da Seleção Juvenil, pra jogar um campeonato mundial em 2013. Mas a proporção que isso tomou depois de 2013 foi bastante rápido. Se eu for parar para pensar, eu nunca imaginava que em seis anos eu já ia ter conquistado uma Champions League, jogado em equipes como o Kiel, que é uma grande equipe na Alemanha, depois o Vardar.


Na Macedônia todo mundo sabe que a gente joga, a gente sai na rua todo mundo conhece. E agora de ir pra um clube como o Veszprém, realmente eu não imaginava essa proporção que a minha carreira ia tomar.

Tchê – Você está em finalização da recuperação da cirurgia do joelho, o Veszprém obviamente já sabia disso. Como está essa recuperação?

RM – Tive um problema no início dessa temporada, em agosto, comecei a sentir uns incômodos nos joelho. Aí fiz uma ressonância magnética e o médico apontou um problema no menisco e umas microfraturas na cartilagem do meu joelho direito. Consegui jogar dois a três meses fazendo esse tratamento até o outro pivô voltar e operei dia 12 de novembro. Foi retirada uma metade do meu menisco, que estava danificado, e feita uma limpeza na cartilagem, o que levaria de dois a três meses de recuperação. O processo de recuperação está acabando agora. Agora já estou 90% recuperado, e hoje (2/fev) comecei a treinar com bola, handebol. Essa semana eu vou treinar já com o time, normalmente.


Tchê – A volta às quadras então está próxima?

RM – Acredito que o próximo compromisso da Champions League eu já vou poder jogar, estar 100% recuperado. A expectativa e o trabalho estão sendo feitos pra eu voltar no dia 16 de fevereiro no jogo contra o Veszprém, que é o Match of the Week, o jogo principal da rodada, que é aqui em Escópia.


Tchê – Com a questão da tua cirurgia você acabou ficando de fora do Mundial. Obviamente havia uma expectativa que você pudesse estar lá. Como você viu a campanha dos meninos, com quem você jogou tantas vezes, muitos deles inclusive desde a fase Junior?

RM – Infelizmente eu fiquei de fora do Mundial devido à lesão, mas sem dúvida nenhuma os atletas que foram, a comissão que foi lá pro Campeonato Mundial, fizeram uma excelente participação. Gostaria de parabenizar todo mundo que estava lá, que se doou ao máximo pra isso tudo acontecer. Isso é importante para a modalidade, pra crescer ainda mais no Brasil. Todo mundo está acompanhando e vendo os inúmeros problemas, perdas de patrocínio que a Confederação está tendo e a gente precisa de resultados positivos pra correr atrás e ter novamente esses patrocínios de volta pra ajudar e fazer com que o handebol possa crescer e ficar mais organizado no País. Foi total mérito dos jogadores e da comissão, que fizeram um sacrifício enorme de ter ido treinar no final do ano, desde o dia 26, e passar Reveillon longe da família. Praticamente ficaram um mês longe da família num período que é férias pros jogadores que atuam na Europa, que é uma pausa que tem.

Tchê – Você está com a expectativa de poder voltar a jogar pela Seleção Brasileira já no Pan de Lima?

RM – Minha expectativa é voltar agora, temos uma fase de treinamento em abril, voltar a participar de treinamento e depois, claro, foco no Campeonato Panamericano, em julho. Quero fazer parte do grupo e vou estar trabalhando esses meses que antecedem a competição pra fazer parte da Seleção e brigar por essa vaga na Olimpíada de Tóquio em 2020.


Tchê – Vemos o handebol brasileiro está num momento muito crucial, ao mesmo tempo em que os atletas estão saindo do Brasil, estão ganhando nível, e vemos resultados individuais aparecendo, e obviamente quando esses talentos se juntam também é bom. Mas ao mesmo tempo é meio contraditório, porque como os resultados vão vir sem um apoio? E quem vai apoiar se não há resultados?

RM – Infelizmente, mesmo com os resultados acontecendo a gente vem perdendo patrocínios, parceiras como os Correios, o Banco do Brasil, que investiam pesado na modalidade e faziam com que os acampamentos acontecessem, com que a Seleção pudesse se reunir mais e treinar. Porque é complicado você não ter uma fase de treinamento pra trabalhar com o grupo. Uma coisa é trabalhar no seu clube, ter seu desenvolvimento no clube, mas quando você se reúne com seus colegas na Seleção, se não tiver um entrosamento dentro de quadra é complicado.


Tchê – A gente tem notícias de alguns atletas, e acho que a maioria sonha em jogar fora, de que alguns não assinaram contratos muitos legais. Isso acabou sendo uma frustração. Você pode deixar um conselho pra quem vai sair do Brasil, o que é importante olhar, entender, considerar?

RM – Acho que o primeiro de tudo é aproveitar o momento enquanto está jovem, para aprender as coisas, assistir o máximo de jogos de nível possíveis Acredito que devido também aos resultados que a Seleção Brasileira teve nesse Mundial, isso tem feito com que as pessoas aqui fora tenham bons olhos para os jogadores brasileiros. Primeiro é (importante) se informar certinho sobre as coisas, qual é o clube, qual é o país, principalmente, pra não cair numa furada. Mas acredito que hoje em dia está bem mais fácil pra escolher um bom lugar. E acho que esses jogadores que sonham um dia sair (do Brasil) têm que estar preparados pra correr atrás, porque não vai cair no colo de ninguém, tem que trabalhar e correr atrás pra isso acontecer.


Tchê – Pra terminar: certamente você tem um tipo preferido de comida e queremos saber qual é? Quando você foi pra Alemanha e mesmo aí na Macedônia, em relação à comida, você consegue se alimentar bem ou teve que aprender a comer outras coisas?

RM – Eu nunca tive problema com comida, sempre comia de tudo, mas a coisa que eu mais sinto falta é que sou paraense, então, a gente tem o hábito de comer o açaí com o peixe, com uma carne junto. Isso é típico paraense, do Norte do Brasil. Então o que eu mais sinto falta é o açaí com a farinha de mandioca e a comida do lado, comendo junto. Mas quando eu vou pra lá de férias eu passo a primeira semana comendo bastante e isso mata um pouco da falta que isso me faz aqui. Tirando isso, me adapto fácil a todo tipo de comida, como de tudo. Então, morrer de fome não vou, em nenhum lugar, sem dúvida!

FINAL LIGA DOS CAMPEÕES EHF 2016/2017 | PSG 23X24 VARDAR


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