Santo André acaba com equipe feminina adulta de handebol

Atualizado: 17 de Fev de 2020


Anúncio foi feito nessa quinta (06) à comissão técnica e atletas e pegou a todos de surpresa; decisão foi por corte de verbas


Santo André em 2012. (Acervo Tchê Esportes / André Pereira)

Na tarde dessa quinta-feira (06/12) foi comunicado o fim do time feminino adulto de handebol de Santo André. O anúncio pegou de surpresa a comissão técnica e atletas, já que não havia sinais de que isso pudesse acontecer. Segundo informado, a secretaria de esportes da cidade alegou corte de verbas e que a decisão não teria nada a ver com os últimos resultados da equipe nos Jogos Abertos – o time não se classificou para as semifinais do torneio.

“Ficamos sabendo hoje, não tínhamos a menor ideia que isso ia acontecer. Segundo eles (secretaria) é simplesmente contenção de despesas e acabou”, disse Archibald Scott Neto, supervisor do Santo André. Ele e o técnico Rubens Piazza continuam com as categorias infantil e cadete pois são funcionários da prefeitura. O técnico José Ronaldo do Nascimento, o SB, que chegou ao time nesse ano, terá uma reunião na segunda-feira (10) na prefeitura para saber mais sobre o fato.


Archibald  e Piazza. (Acervo Tchê Esportes / André Pereira )

Para as atletas restou a tristeza e a indignação pelo fim de uma das mais tradicionais equipes de handebol do País, que surgiu na década de 90. “É todo ano é assim, mas nesse já avisaram agora para poder arrumar time. A ficha ainda não caiu. Tão triste quando te tiram o direito de escolher parar ou não com o handebol”, falou a ponta Fernanda Barbosa, há oito anos em Santo André, e que já pensa na aposentadoria por causa disso.


Fernanda Barbosa. (Acervo Tchê Esportes / André Pereira)

A goleira Flavia Vidal, há 11 anos defendendo o time, diz que só tem tristeza e indignação nesse momento. Ela foi eleita várias vezes como melhor jogadora da partida no Super Paulistão e chegou a ser convocada para defender a Seleção Brasileira no início de 2014 em um amistoso contra a República Dominicana. “Vou contatar os times. Mas está cada vez mais limitado, há poucos times. É muita concorrência, está difícil”, lamentou Flavinha, como é conhecida.


Flavinha. (Acervo Tchê Esportes / André Pereira)

A parceira de trave de Flavia, Naira Morgana Almeida, e a armadora Thamiris Madeira estão em Niterói (RJ) para participar da última etapa do Circuito Brasileiro de Handebol de Areia com a equipe 360° nas areias. As duas receberam com muita preocupação o anúncio do fim da equipe. “Eu estou chocada, mas estou tentando não pensar nisso porque estou numa competição de ‘beach”, contou Thamiris.


Thamiris Madeira. (Acervo Tchê Esportes / André Pereira)

“É uma situação muito complicada, estou bem triste, mas tentando não pensar muito nisso agora. Não tem muito o que fazer.Vou ficar aberta a novas oportunidades porque não quero só jogar handebol de areia, quero jogar quadra também”, falou Naira.


Naira Almeida. (Acervo Tchê Esportes / Andre Pereira)

A Prefeitura de Santo André mandou uma nota à Tchê Esportes por meio de sua assessoria de imprensa onde afirma que, “em nova filosofia de trabalho, a secretaria entende que precisa, dentro dos recursos possíveis, investir no futuro do esporte andreense, com bases mais fortalecidas. O trabalho com as equipes da cidade seguirá o mesmo padrão”. Informou, também, que o nível das equipes avançará de acordo com investimentos externos. “Teremos equipes de base e, caso sejam firmadas parcerias que possibilitem o desenvolvimento do esporte em alto rendimento, trabalharemos com competições adultas”.

Início da Tchê Esportes

A história da Tchê Esportes se confunde com o handebol Santo André. Em 2012, convidados por um amigo que tinha a namorada jogando no time adulto, fomos assistir a uma partida. Desse jogo resultaram fotos que ficaram guardadas. Gostamos tanto que resolvemos ir a outros jogos do Super Paulistão. Mais fotos foram feitas por puro prazer em fotografar. E também veio a “cobrança” das atletas que queriam ver as imagens. Resolvemos então publicar as fotos, mas com informações do campeonato, já que sou jornalista. E foi assim que nos identificamos com o handebol e demos continuidade à cobertura jornalística da modalidade. E foi assim que assistimos, com tristeza, a mais uma equipe fechar as portas e ver outros tantos jogadores sem clube e sem perspectiva.

PRA RELEMBRAR...


GALERIA

A reportagem da Tchê Esportes entrou em contato com a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Santo André, mas até o fechamento da reportagem não recebemos resposta.

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