• Andréa Rodrigues

O Handebol discute o racismo que vem de fora da quadra

Atualizado: 7 de Mar de 2019


Relatos de agressão verbal a atletas da Unip São Bernardo durante partida da Liga Nacional, em Blumenau, ferem a modalidade


No último sábado (27/out) um episódio triste manchou a Liga Nacional Feminina de Handebol e toda a modalidade. Ao final da partida entre as equipes de Blumenau e Unip São Bernardo, em Blumenau (SC), houve uma confusão entre atletas do time paulista e torcedores dos anfitriões. Quem estava de longe não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas várias atletas revelaram ter ouvido ofensas racistas vindas da arquibancada. De acordo com relato no Instagram da atleta Hannah Nunes, campeã mundial em 2013 na Sérvia com a Seleção Brasileira, foi no último minuto do jogo que as ofensas “explodiram”.


“Escutei que era pra voltar pra senzala, chamaram de negros. Eu escutei, mas fiquei calada, fui estourar depois que acabou o jogo e eu comecei a chorar. Foi horrível escutar o que ele falou pra mim”, relatou uma das atletas da equipe de são Bernardo do Campo (SP).

A Tchê Esportes procurou os envolvidos na questão e conversamos com uma pessoa que teria dito ofensas racistas a atletas da Unip. Ele negou as ofensas racistas e nos deu o seguinte depoimento: “Tenho certeza do que eu falei. É uma situação extremamente desagradável, não é da minha índole. Falar qualquer coisa desse tipo não é do meu vocabulário.” O jogo terminou com a vitória de Blumenau por uma bola (23 x 22) e a classificação das catarinenses para as quartas de final da Liga Feminina de Handebol.

O técnico da Unip Álvaro Casagrande diz que estão reunindo informações das jogadoras para se posicionarem formalmente perante a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb). Mas disse que já conversou com o presidente Ricardo Souza, até porque nada foi relatado na súmula pelo delegado da partida, pois ele não teria ouvido o que disseram . “As meninas me falaram que ele (o ofensor) disse alguma coisa do tipo ‘volta pra senzala, você só está aqui pra comer’ para uma atleta nossa que estava no banco. Fui falar com o (Sérgio) Graciano que deu uma bronca no cara e pediu desculpas. A partir daí eu queria mais era tirar o time da quadra”, contou Casagrande à reportagem da Tchê Esportes.

O técnico do Blumenau Sérgio Graciano está bastante preocupado com as consequências que o fato pode gerar para a modalidade e para a cidade também. “Nós não somos racistas, nós não admitimos qualquer tipo de preconceito aqui em nosso time. Tem muita gente falando que Blumenau é racista, mas as pessoas precisam ter cuidado, porque estão colocando todos em uma situação muito complicada. Corremos risco de sermos banidos da Liga, comprometendo todo nosso trabalho”, explicou.

A CBHb já se manifestou publicamente pelas redes sociais. “A CBHb reitera que repudia todo e qualquer ato de racismo e que levará ao conhecimento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para as devidas providências cabíveis dentro do que rege as leis esportivas.” O comunicado na íntegra está no site da CBHb. O presidente Ricardo Souza também conversou com a Tchê Esportes e disse que ainda não receberam nada oficial, e confirmou que foi procurado pelo técnico da Unip Álvaro Casagrande.


Consultamos o advogado especialista em Direto Desportivo João Henrique Chiminazzo para analisar a situação. “Se houver alguma prova ou indício forte de ofensas racistas o STJD pode denunciar a equipe e ela pode ser punida pelo CBJD. Mas precisa ter prova e essa pode ser uma dificuldade”, explicou, ao citar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva e o Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

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