• Andréa Rodrigues

Equipe de handebol se equilibra sob rodas e desafios


Time criciumense supera falta de patrocínio, mantém união e se prepara para o Estadual em maio


Todas as terças e quintas-feiras à noite o agito é diferente no ginásio II da Faculdade Satc, em Criciúma (SC). É ali que se reúnem para treinar os 14 atletas do handebol sob rodas. A turma, já acostumada a encarar desafios pela vida à fora, encara mais um momento difícil do esporte, a falta de patrocínios.


Mas isso não desmotiva o grupo, nem afasta os participantes do foco das competições. “Nosso próximo desafio é o Estadual que será no final de maio”, explica o técnico Martinho Mrotskoski Neto. Hoje, o grupo conta com o apoio da Satc para seguir nos treinos e disputas. E na dedicação de atletas como Jean Rabello Gonçalves. Desde 2014 no time de handebol, Jean não falta um treino. “Antes do acidente eu jogava futebol. Depois, fiz natação por um tempo, mas foi no handebol que encontrei o que buscava. Sempre fui competitivo e gosto das disputas, dos jogos”, afirma Jean.

A falta de apoio não desmotiva o grupo. O time é competidor e busca vitórias e títulos como qualquer outro. Basta assistir a um dos treinos para ver o empenho de todos.

Apoio voluntário

Em 2015 o fisioterapeuta Ronan Duarte De Rose começou um projeto durante sua residência com os atletas do handebol. “O objetivo era fazer um trabalho preventivo, já que eles fazem muitos movimentos repetitivos e utilizam muito os ombros, cotovelos, braços e punhos”, pondera o especialista.


A proposta de Ronan, que continua hoje atuando como voluntário, trabalha formas de alongamento, aquecimentos específicos e exercícios para o fortalecimento dos atletas.

“Percebemos que eles estão se cuidando mais. A maioria faz academia, o que ajuda no fortalecimento do corpo. Quando sentem alguma dor já procuram e recebem o atendimento”, reforça.

* Marli Vitali é jornalista e professora orientadora na Faculdade Satc em Criciúma (SC)

Entenda o Handebol em Cadeira de Rodas - HCR

Com informações da Associação Brasileira em Cadeiras de Rodas ( ABRHACAR)

O Handebol em Cadeira de Rodas é uma modalidade de desporto adaptado e consiste em duas modalidades básicas:

HCR 4

  • Jogado por duas equipes de quatro jogadores e o mesmo número de reservas.

  • Tempo de jogo: dois tempos de 10 minutos (cinco minutos de intervalo), e em caso de empate haverá prorrogação de 5 minutos, tornando-se vencedor a equipe que fizer o primeiro gol (gol de ouro).

HCR 7

  • Jogado por duas equipes de sete jogadores e o mesmo número de reservas.

  • Tempo de jogo: dois tempos de 20 minutos – 5 minutos de intervalo

Categorias:

Categoria A - Para atletas com classificação funcional de 0,5 até 5,0.

Categoria B - Para atletas com classificação funcional de 0,5 até 2,5.

Mista - Para atletas de ambos os sexos jogando juntos.

As diferenças:

Com a utilização de uma placa a baliza é disposta 40 cm abaixo da convencional, para compensar a altura dos atletas que jogam sentados, medindo 3 m de largura por 1,60 cm de altura;

As dimensões da quadra equivalem às medidas na modalidade convencional (40m x 20m);

A cadeira de rodas esportiva é diferente da convencional, pois é feita de um material mais leve com design especial para conferir maior estabilidade e segurança, além de não possuir freios. A largura do assento e a altura do encosto são fabricados sob medida, conforme o tipo e nível de lesão de cada atleta;

Os jogadores, mesmo aqueles que usam muletas e bengalas no dia-a-dia, fazem uso da cadeira de rodas esportiva para se locomoverem em quadra;

Quem pode jogar Handebol em Cadeiras de Rodas:

Pessoas com deficiências físicas decorrentes de poliomielite, lesão medular (paraplegia e tetraplegia) e má formação ou amputação de membros inferiores.

Cada jogador passa por uma avaliação funcional, denominada Classificação Funcional Esportiva, sendo classificado conforme tipo/nível de lesão e o grau de mobilidade. Com base nessa classificação funcional, cada atleta recebe uma pontuação que varia de 0,5 a 5,0 pontos. De maneira que a pontuação mais baixa se aplica aos atletas com maior comprometimento motor e as pontuações mais altas aos atletas com menor comprometimento motor e consequentemente maior mobilidade.

A equipe deve ser constituída por jogadores com pontuações distintas, a fim de permitir que os atletas que apresentam um nível maior de comprometimento também tenham sua participação garantida.

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