• Andréa Rodrigues

Handebol Amador ganha espaço, mas esbarra na falta de estrutura



Modalidade mostra crescimento, mas fatores estruturais ainda são empecilhos para maior evolução

A cada ano o número de equipes atuantes no handebol amador tem crescido de forma expressiva e são formadas por pessoas das mais diversas idades, variando desde 16 até 40 anos ou mais. Na grande maioria são jogadores que praticaram a modalidade durante o período escolar e/ou universitário, que reúnem amigos ou que acabam buscando interessados nas redes sociais para formarem novas equipes, que têm como ponto em comum o amor pelo esporte. Treinos de madrugada ou aos finais de semana (quando não há agenda de jogos) são uma realidade para os atletas amadores. Nessas equipes também nota-se a presença de ex-atletas profissionais, ou mesmo aqueles que desistiram do sonho de seguir no esporte. Há até jogadores em atuação que, por falta da estrutura do handebol profissional no Brasil, acabam ficando por vários meses sem um treinamento adequado e têm buscado cada vez mais nos times amadores o espaço para manter o condicionamento físico e técnico nos intervalos das competições. Nos regulamentos da maioria dos campeonatos permite-se a inscrição de no máximo quatro atletas federados, para evitar disparidades técnicas entre os amadores e os profissionais. Muitas vezes as equipes são financiadas exclusivamente com recursos dos próprios jogadores, que dividem entre si as despesas da equipe, como inscrição em campeonatos, uniformes e alugueis de quadras para jogos e treinos. Mas há espaço para times que contam com o patrocínio de empresas locais e de amigos dos integrantes, que ajudam a reforçar o caixa e a diminuir o peso dos custos de manutenção das equipes.


No entanto, a estrutura esportiva não tem acompanhado o crescimento da modalidade e tem ficado cada vez mais enxuta com o passar dos anos. Eu, Thiago Soares Mazzocchi, sou atleta e responsável pelo Motus Handebol Club, uma das equipes amadoras recém surgidas no cenário do handebol paulista. A dificuldade de encontrar quadras para treinos e jogos na Grande São Paulo tem se agravado nos últimos anos. Infelizmente, muitas quadras e clubes estão sendo fechados para dar lugar a novos prédios e centros comerciais. São áreas valorizadas por conta da metragem e localização. Ainda há clubes e centros esportivos que acabaram restringindo a prática da modalidade em seus espaços, por causa da proibição do uso da cola (elemento tradicional do handebol), que acabaria manchando pisos e causando dificuldades na hora da limpeza das quadras.

Apesar da existência de campeonatos voltados para esse público, como a Liga LE2, LDBR e Liga Paulista Amadora, além da falta de estrutura física a divisão de horários com outras modalidades nas quadras disponíveis e o número reduzido de equipes de arbitragem – que muitas vezes se dividem entre jogos amadores, universitários e escolares – são fatores que também têm prejudicado o andamento desses torneios, ocasionando uma série de críticas aos organizadores destes eventos.

Marketing e Gestão inspiram gestores de equipes

Por mais que a maioria dos times atue de forma amadora, os gestores de equipes de handebol amador têm procurado se cercar de práticas de administração adotadas por clubes profissionais e por grandes empresas.

O caso do Motus Handebol Club se encaixa nesse perfil. Formada em 2016, a equipe estabelecida na região do Grande ABC possui, em sua grande maioria, ex-jogadores da Atlética de Comunicação da Metodista e atuais bicampeões do JUCA, o principal torneio entre universidades de comunicação do Brasil. Além disso, como principal responsável pela equipe, sou especialista em Marketing Esportivo, e o técnico Arthur Placido é pós-graduando em Alto Rendimento Esportivo. Com este perfil, a equipe conseguiu estabelecer uma relação bastante interessante entre critérios técnicos, marketing e gestão, o que tem sido bastante proveitoso.


Atualmente, o time possui um patrocinador master – o bar “O Londrino” – e comemoramos o fato de o investimento feito ter produzido retorno. Logo no lançamento do uniforme da nossa equipe, que fizemos no mês de março no Londrino, o montante do investimento retornou em consumo, e ao longo dos meses temos recebido dos proprietários do bar um feedback bastante positivo a respeito da visibilidade da nossa parceria.

O esporte amador, principalmente o Handebol, também pode ser uma vitrine bastante importante, principalmente para as marcas locais, e somos muito agradecidos pela parceria e confiança d’O Londrino em nosso projeto num momento tão complicado do país.


Thiago Soares Mazzocchi é bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Anhanguera de São Paulo e Pós-Graduado em Administração e Marketing Esportivo pela Universidade Estácio de Sá.Desde 2012 administra e ajuda a implantar equipes amadoras de Handebol em São Paulo. Atualmente é Atleta e Responsável pelo Motus Handebol Club..


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