• Andréa Rodrigues

Seleção Brasileira Feminina de Handebol vive tempos de incertezas


Equipe ainda não tem comissão técnica definida e há muitas dúvidas sobre a preparação para competições internacionais


Entre novembro e dezembro deste ano ocorrerá, na Alemanha, o Mundial de Handebol Feminino, principal campeonato entre seleções organizado pela IHF (Federação Internacional de Handebol). Ainda não tendo as seleções participantes definidas, a Federação começa a fazer os preparativos para a competição. Como país sede, a seleção da Alemanha é a única já classificada (de forma automática) para o Mundial.

Apesar de ainda não ter a classificação garantida, a Seleção Brasileira vive tempos de incertezas. Estando a oito meses da competição, a Seleção se encontra sem comissão técnica. A participação do Brasil no Mundial dependerá de seu desempenho no Pan-Americano, que acontecerá no mês de junho, em Toronto, no Canadá. Das últimas dez edições do torneio organizado pela Federação Pan-Americana de Handebol, a Seleção Brasileira saiu vitoriosa em nove oportunidades.

Mas agora os tempos são outros na Seleção.


Em dezembro do ano passado, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) oficializou a saída do treinador dinamarquês Morten Soubak, que estava no comando do Brasil desde 2009. Nesses sete anos, a Seleção passou por uma enorme transformação, subindo de patamar a cada ano. Começando no Mundial de 2011, realizado em São Paulo, no qual o Brasil chegou às quartas de final. Dois anos mais tarde, o inacreditável aconteceu. Morten e suas atletas levaram a Seleção à conquista inédita do Mundial, derrotando a Sérvia, anfitriã da competição naquele ano. Além disso, a Seleção conquistou o Pan-Americano em 2011 e 2015, e ainda chegou ao sexto lugar nas Olimpíadas de Londres, em 2012, sendo este o melhor resultado olímpico para a nossa modalidade.

Poucos entenderam a saída do treinador do comando da Seleção, resultando em muitas críticas à CBHb, que alegou ser um momento de renovação. Além de Morten, o Brasil ainda perdeu três grandes jogadoras. A goleira Mayssa e as pivôs Dani Piedade e Dara Diniz anunciaram suas aposentadorias da Seleção Brasileira, após a eliminação para Holanda nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.


O que se esperava era que houvesse um nome para substituir o dinamarquês, o que claramente não aconteceu. Após o grande sucesso dos últimos anos, a expectativa era de que os frutos colhidos gerassem ainda mais êxito. Porém, vemos esse talentoso grupo de jogadoras nessa situação.


Estando a três meses do Campeonato Sul-Americano, que dará vaga para o Mundial daqui a oito meses, a Seleção Brasileira Feminina de Handebol ainda não tem uma comissão técnica definida.

Mas por que vivemos essa situação?

O pensamento da grande maioria era de que nosso handebol estava se organizando e se firmando como uma potência. Qual é o tempo que a nova comissão técnica terá para preparar a equipe para o Pan-Americano? Qual a intenção dos gestores do nosso esporte ao demorar tanto para definir um novo treinador? Seria um projeto a longo prazo, com jogadoras mais jovens, em que o Mundial deste ano não seria a prioridade? Ou é apenas falta de organização e um planejamento mal feito? Em breve teremos essas respostas, mas a nossa torcida é para que esta grande geração não seja desperdiçada pela nossa Confederação.

*Sobre o Autor

Artur Rodrigues é jornalista em formação e escritor no Blog Esportudo.

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