• Andréa Rodrigues

Sem dinheiro, sem time de handebol e sem perspectiva


O fechamento de equipes adultas de São Paulo e a crise financeira das prefeituras deixa atletas sem salários de 2016 e sem times para jogar


A crise financeira e a troca de comando em muitas prefeituras escancara ainda mais o problema enfrentado pelo esporte no Brasil. Uma das primeiras verbas a ser cortada é justamente da secretaria que cuida do esporte e lazer. Com isso, muitas das modalidades que dependem dos recursos municipais para montarem equipes de competição ficam sem ter como se manterem. Foi o que aconteceu com os times de handebol masculino e feminino da categoria adulto de São Caetano do Sul.


O comunicado foi feito na terça-feira, dia 24 de janeiro, aos atletas. No entanto, durante o período eleitoral, vários jogadores foram procurados com a promessa de apoio em 2017. O caso é ainda mais grave porque os atletas estão sem receber o salário de dezembro e eles não sabem de quem é a responsabilidade pelo pagamento. “De quem a gente tem que cobrar? De quem saiu ou de quem entrou? Na época da eleição teve reuniões com a equipe, disseram que até teria um patrono. E agora deixaram o handebol de São Caetano na mão?”, pergunta Dani Jóia, armadora central da equipe em 2016 e a única atleta, até agora, a conseguir outro time para atuar em 2017. Ela vai jogar pelo Esporte Clube Pinheiros, onde foi campeã da Liga Nacional no fim do ano passado.


A pivô Carol Fajardo, atleta que já participou do Mundial Universitário com a Seleção Brasileira, também reclama da falta de cumprimento das promessas de campanha. “O ginásio lá não tinha bebedouro. Eles deram bebedouro durante a campanha para mostrar o apoio deles com o hand", conta a jogadora. "Não tem previsão de quando vão pagar, nós achamos que pode nem vir.”


O fim das equipes gerou repercussão nas redes sociais, com vários atletas se manifestando. De acordo com informações da Comunicação do município de São Caetano do Sul, “não há um pronunciamento oficial porque a secretaria de esportes ainda está fazendo um levantamento da situação”.


Esse problema da falta de pagamento ronda outras equipes também. Santo André, que já foi campeão paulista em 2013 no naipe feminino, também tem uma pendência financeira com atletas. E para deixar jogadoras e comissão mais apreensivos ainda não se sabe se o time adulto continuará em 2017. “Agora o que resta é esperar a próxima semana e torcer para que não acabem com mais um time”, diz Flavia Vidal, goleira que já foi considerada a melhor do Campeonato Mundial Universitário em 2014.


Segundo informações do setor de imprensa da prefeitura de Santo André, as novidades devem ser anunciadas no meio da próxima semana (entre 30/jan a 3/fev) pela Secretaria de Esportes. Quanto aos valores em aberto, a informação passada à Tchê Esportes é de que “a nova gestão está avaliando o que está pendente e analisando as contas. A Secretaria de Esportes não tem prazo definido para informar sobre os pagamentos, mas já se prontificou a acertar os vencimentos assim que a apuração estiver completa”.

Se a situação do time do ABC está indefinida, já no fim de 2016 Taubaté anunciou que a equipe feminina terceira colocada no Super Paulistão não teria continuidade no ano seguinte. O time era uma parceria com a FAB, que retirou o apoio e decidiu não investir mais na modalidade. Ao todo, 16 meninas ficaram sem ter onde jogar.


“Ficamos e estamos sem clube. A história se repete ano a ano no handebol, só muda a cidade. A realidade é essa. A ideia era nos mantermos juntas, até tentamos algumas coisas, mas está difícil. Apenas três meninas têm proposta concreta. O restante está aí, esperando algo e sem saber ainda o que fazer”, fala Vanessa Reis, a capitã do Taubaté/FAB.

Outra cidade que também não vai jogar com a categoria adulto, mas apenas o time masculino, é São José dos Campos. A equipe já foi terceira colocada do Super Paulistão por dois anos seguidos (2014-2015) e no ano passado, com a saída de jogadores importantes e experientes, ficou em sexto lugar. Agora o investimento será somente nas categorias mais novas, mas com planos de voltar a ter uma equipe principal em dois anos. “Vamos dar uma pausa no adulto masculino e nos estruturar melhor nas categorias juvenil e junior. O time feminino adulto está mantido”, conta Francisco Silva, o Chico, técnico de São José.


É importante lembrar que as equipes devem realizar a inscrição no Super Paulistão de Handebol na Federação Paulista até o dia 10 de fevereiro. Por isso jogadores e pessoas ligadas à modalidade estão preocupadas, pois o tempo é curto para se organizarem e conseguirem times para jogar a temporada.

Os atletas da equipe masculina de São Caetano do Sul estão se organizando e tendo reuniões com universidades e possíveis parceiros em busca de continuar com o projeto iniciado em 2016. “Agora estamos correndo atrás de recursos. Pegamos o projeto com a cotação anual inteira, com os valores de atletas, comissão técnica, material... Estamos em busca disso. Eu quero poder continuar acreditando em um projeto que a gente criou, que a gente tomou posse disso”, diz Thiago Soares da Cruz, o pivô Duplex, ao se referir às dificuldades já enfrentadas no ano passado. Houve corte de 40% na verba mesmo depois de o projeto ter sido aprovado e os atletas venderam camisetas, fizeram bingo e outras ações para arrecadar a parte que faltava para completar salários e bancar viagens e materiais.



LEIA TAMBÉM

Apahand/UCS volta à disputa da Liga Nacional de Handebol

Pré-temporada: Cauê Herrera retorna e Matheus Lennon chega ao handebol de São Bernardo

Pré-Temporada: Handebol Pinheiros se reforça com Dani Joia, Tamires Costa e Diogo Hubner

#noticias #spm2017 #sp2017 #handebolnacional #sãocaetanomasculino #spf2017

7 visualizações