Sem dinheiro, sem time de handebol e sem perspectiva


O fechamento de equipes adultas de São Paulo e a crise financeira das prefeituras deixa atletas sem salários de 2016 e sem times para jogar


Equipes de handebol sem perspectivas. (foto arquivo Tchê Esportes))

A crise financeira e a troca de comando em muitas prefeituras escancara ainda mais o problema enfrentado pelo esporte no Brasil. Uma das primeiras verbas a ser cortada é justamente da secretaria que cuida do esporte e lazer. Com isso, muitas das modalidades que dependem dos recursos municipais para montarem equipes de competição ficam sem ter como se manterem. Foi o que aconteceu com os times de handebol masculino e feminino da categoria adulto de São Caetano do Sul.


Equipe do São Caetano Masculino. (foto arquivo Tchê Esportes)

O comunicado foi feito na terça-feira, dia 24 de janeiro, aos atletas. No entanto, durante o período eleitoral, vários jogadores foram procurados com a promessa de apoio em 2017. O caso é ainda mais grave porque os atletas estão sem receber o salário de dezembro e eles não sabem de quem é a responsabilidade pelo pagamento. “De quem a gente tem que cobrar? De quem saiu ou de quem entrou? Na época da eleição teve reuniões com a equipe, disseram que até teria um patrono. E agora deixaram o handebol de São Caetano na mão?”, pergunta Dani Jóia, armadora central da equipe em 2016 e a única atleta, até agora, a conseguir outro time para atuar em 2017. Ela vai jogar pelo Esporte Clube Pinheiros, onde foi campeã da Liga Nacional no fim do ano passado.


Dani Jóia, armadora do São Caetano em 2016. (foto arquivo Tchê Esportes)

A pivô Carol Fajardo, atleta que já participou do Mundial Universitário com a Seleção Brasileira, também reclama da falta de cumprimento das promessas de campanha. “O ginásio lá não tinha bebedouro. Eles deram bebedouro durante a campanha para mostrar o apoio deles com o hand", conta a jogadora. "Não tem previsão de quando vão pagar, nós achamos que pode nem vir.”


Carol Fajardo, pivô do São Caetano em 2016. (foto arquivo Tchê Esportes)

O fim das equipes gerou repercussão nas redes sociais, com vários atletas se manifestando. De acordo com informações da Comunicação do município de São Caetano do Sul, “não há um pronunciamento oficial porque a secretaria de esportes ainda está fazendo um levantamento da situação”.


Equipe do Santo André. (foto arquivoTchê Esportes)

Esse problema da falta de pagamento ronda outras equipes também. Santo André, que já foi campeão paulista em 2013 no naipe feminino, também tem uma pendência financeira com atletas. E para deixar jogadoras e comissão mais apreensivos ainda não se sabe se o time adulto continuará em 2017. “Agora o que resta é esperar a próxima semana e torcer para que não acabem com mais um time”, diz Flavia Vidal, goleira que já foi considerada a melhor do Campeonato Mundial Universitário em 2014.


Flávia Vidal, goleira do Santo André. (foto arquivo Tchê Esportes)